O que é endoscopia?

Endoscopia é um exame para visualizar o esôfago, estômago e duodeno e assim diagnosticar doenças que atingem esses órgãos. A endoscopia é realizada por meio da introdução, pela boca, de um tubo flexível chamado endoscópio, que passa pela garganta e vai até o duodeno, que é a primeira porção do intestino delgado.
É um exame usualmente de curta duração (8 a 10 minutos), de grande segurança e indolor quando realizado com sedação consciente ou sedação profunda, que não são consideradas anestesia.
O exame de endoscopia também pode ser chamado de Endoscopia Digestiva Alta (EDA), pois permite visualizar a parte “alta” do sistema digestório. 

O endoscópio

O aparelho usado para fazer o exame de endoscopia possui uma fonte de luz, que ilumina o interior do tubo digestivo, e uma microcâmera. Nos aparelhos mais modernos, a imagem captada é reproduzida em vídeo em tempo real; por isso o exame também é muitas vezes conhecido por videoendoscopia.
Pelo endoscópio é possível acoplar uma pinça para coletar material para biópsia, retirar pólipos ou corpos estranhos. Além disso, o endoscópio também pode ser usado para tratar lesões hemorrágicas.

POR QUE FAZER ENDOSCOPIA?

Ao permitir a visualização do esôfago, estômago e duodeno, a videoendoscopia digestiva alta pode identificar diversas alterações, como:

  • esofagite
  • gastrite
  • duodenite
  • úlcera
  • estreitamento (estenose)
  • dilatação do esôfago (megaesôfago)
  • hemorragia digestiva (sangramento)
  • varizes
  • infecção pelo Helicobacter pylori e outros microrganismos como fungos e vírus
  • tumores e cânceres
  • doença celíaca
  • doença de Chron
  • impactação alimentar
  • corpos estranhos
  • doença do refluxo gastroesofágico

COMO SE PREPARAR PARA O EXAME DE ENDOSCOPIA?

Verifique a seguir como se preparar corretamente.  Mas, se mesmo assim ainda tiver dúvidas, consulte-nos por meio de um de nossos canais de atendimento. Há botões para contato disponíveis nas laterais da tela (WhatsApp e Chat) e outras formas de contato listadas na página Contato.

Preparo para endoscopia pela manhã

Endoscopia pela manhã

  • Noite anterior: jantar leve antes das 20h. Esperar pelo menos 2h depois do jantar para deitar.
  • Após o jantar: só beber água e água de coco, e no máximo até 2h antes do exame.
  • Remédios: se você toma remédios ou usa insulina pela manhã, se possível, deixar para tomar depois do exame.
  • No dia: chegar com 15 min. de antecedência, acompanhado de um maior de 18 anos. Trazer pedido do exame e laudos de endoscopias anteriores.
Preparo para endoscopia à tarde

Endoscopia pela tarde

  • Café da manhã: alimentar-se somente até as 7h da manhã. 1 copo de chá ou suco de fruta + 2 torradas ou 4 biscoitos de água e sal + 1 porção de gelatina.
  • Após as 7h: só água ou água de coco, e no máximo até 2h antes do exame.
  • Remédios: se você toma remédios ou usa insulina pela manhã, se possível, deixar para tomar depois do exame.
  • No dia: chegar com 15 min. de antecedência, acompanhado de um maior de 18 anos. Trazer pedido do exame e laudos de endoscopias anteriores.

COMO É FEITA A SEDAÇÃO PARA A ENDOSCOPIA?

Para a realização da videoendoscopia, é necessário frequentemente o uso de sedação por via intravenosa. A enfermeira realiza uma punção para que o médico anestesista possa administrar a medicação sedativa, por via intravenosa, e o paciente durma durante todo o exame. Para garantir a segurança do procedimento, o anestesista também monitora os sinais vitais do paciente durante todo o exame.

COMO É FEITO O EXAME DE ENDOSCOPIA: PASSO A PASSO

  1. paciente é encaminhado à sala de exame.
  2. recebe um copo com Luftal para melhorar a qualidade do exame.
  3. é feita uma punção para o anestesista fazer a medicação. Após receber a sedação, o paciente não sente nada e não vê nada.
  4. o médico realiza o exame, introduzindo o endoscópio pela boca do paciente e seguindo até o duodeno. Durante o procedimento, visualiza as imagens projetadas em vídeo e pode, inclusive, colher material para biópsia, se achar que é necessário.
  5. quando o paciente acordar, já terminou o exame. Será levado na maca para a sala de recuperação, onde será acompanhado pela enfermeira.
  6. após cerca de 10 minutos, ou quando estiver visivelmente bem, o paciente será liberado para se encontrar com o acompanhante e ir para casa.

QUAL MÉDICO REALIZA O EXAME DE ENDOSCOPIA?

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PROCEDIMENTOS REALIZADOS DURANTE A ENDOSCOPIA

De acordo com os achados no momento do exame de endoscopia, alguns procedimentos podem ser decididos.

  • Retirada de pólipos (polipectomia) e corpos estranhos
  • Retirada de um ou mais fragmentos da mucosa (endoscopia com biópsia)
  • Injeção de substâncias para realçar a mucosa gastrointestinal (endoscopia com cromoscopia)
  • Cauterização para controle de eventual sangramento

A coleta de amostra de tecido por meio de biópsia possibilita ao médico distinguir tecidos benignos de cancerosos, detectar infecção por bactéria H. pylori, entre outros distúrbios.

Endoscopia: entenda em 1 minuto

Presença do Anestesista

Dúvidas Frequentes

Uma entrevista com o Dr. Mario Silveira, gastroenterologista do IAD Brasília

A endoscopia digestiva alta é um exame através do qual se consegue ter uma boa visualização da parede (mucosa) que reveste o esôfago, o estômago e o duodeno para diagnóstico de afecções. Esses 3 órgãos são examinados, são avaliados e pode-se retirar fragmentos de alguma alteração que porventura exista, seja um pólipo, seja uma erosão, uma úlcera, uma alteração mais suspeita, uma prega gástrica, suspeitas de um câncer gástrico precoce… E permite realizar procedimentos na esfera terapêutica.

O exame é chamado de Endoscopia Digestiva Alta porque a gente vai ver o trato digestivo alto, que compreende o esôfago, o estômago e o duodeno, através do endoscópio. Até os anos 80, usava-se muito o fibroscópio, aparelho que dá a visão direta através de fibra ótica; não se tinha a imagem numa tela. A partir de então, o exame por vídeo foi sendo gradativamente introduzido, tornando-se mais acessível, daí o videoendoscopia. Quando se fala videoendoscopia é porque o exame foi feito ou vai ser feito através de um videoendoscópio. Mas de um jeito ou de outro, é a visualização do trato digestivo alto através de um aparelho endoscópico. Com o passar dos anos, os videoendoscópios têm ganhado em qualidade de imagem, isto é, a resolução de imagem é cada vez maior e melhor. Hoje é possível realizar procedimentos com esses aparelhos que antes não eram possíveis de se fazer. A tecnologia tem avançado muito na confecção desses aparelhos. É raro haver a realização de um exame de endoscopia alta hoje que não seja por vídeo. Mas de qualquer forma, falar videoendoscopia digestiva alta ou endoscopia digestiva alta não é muito diferente, até porque são muito poucos os gastroenterologistas que hoje ainda usam o fibroscópio.

O risco é muito, muito baixo. Quando se verifica um risco maior, administra-se isso melhorando as condições do preparo para o exame. Por exemplo, para os pacientes que usam anticoagulante, orientamos suspender. Se o paciente não suspende o anticoagulante, o exame pode até ser realizado, mas não será feito qualquer procedimento como biópsia ou procedimento terapêutico, pois aumentaria o risco de sangramento durante o exame. Também é preciso muito cuidado quando os pacientes ainda têm resíduo de alimento no estômago na hora do exame. Sabemos que o paciente gastou dinheiro ou o convênio gastou dinheiro com aquele procedimento. Tentamos salvar o procedimento, mas se o paciente estiver com náusea, se a quantidade de alimento for muito grande, é melhor suspender o exame e repeti-lo posteriormente com um preparo melhor do que tentar fazer com o estômago muito cheio de alimento, para evitar o risco de broncoaspiração. Então os riscos são administráveis. É possível conhecer os riscos, a não ser quando alguma informação é omitida. Às vezes o paciente não sabe dizer que remédios toma e durante uma biópsia verificamos que o local fica sangrando por mais tempo do que o normal. Aí ascende a luz amarela: esse paciente toma algum anticoagulante e não informou. Nessa hora, observamos se vai haver coagulação ou não. Quando fica sangrando ainda, aí o exame demora um pouco mais, pois é preciso fazer uma “cauterização” no local.

Anestesia é um procedimento em que se procura bloquear toda a sensação dolorosa do paciente para fazer um determinado procedimento, como uma cirurgia que vai abrir o abdômen. Na endoscopia não é bem assim. O que se faz é uma sedação, uma sedação mais profunda. Por isso a gente tem a presença do anestesista na sala de exame, para coordenar A sedação do paciente. O paciente fica mais relaxado, mas não está totalmente anestesiado. E não é preciso estar anestesiado para fazer uma endoscopia. Nem mesmo para fazer a biópsia. A biópsia é feita da mucosa, e a mucosa não tem raízes nervosas somáticas, portanto, não vão transmitir dor para o sistema nervoso central do paciente. Então não tem necessidade de deixar o paciente anestesiado, ele fica só sedado, uma sedação mais profunda que o faz dormir. 

A endoscopia está indicada  para todo paciente que tem um quadro de má digestão (dispepsia) que se arrasta por 3 meses ou mais; para aqueles que vivenciam sintomas há menos de seis meses, mas são fumantes e têm menos de 45 anos; para pacientes que têm um quadro de má digestão e que estão evoluindo com sinais de alarme como: anemia, perda de peso, dificuldade para engolir. Para pessoas com mais de 65 anos com quadros de má digestão (dispepsia), a qualquer momento é interessante que seja feita uma endoscopia.  Aqueles que já têm história prévia de úlcera ou de hemorragia digestiva e que por algum motivo apresentam sintomas como dor, dispepsia, queimação, azia, refluxo também devem se submeter ao exame.

Isso vai depender muito de como esteja o paciente, da questão do preparo e também do endoscopista. Mas, em média, entre 10 e 15 minutos se faz esse exame.

Eu acho que hoje em dia esse medo é infundado, porque o risco é muito reduzido. Não é exame em que se vai contaminar o paciente. Talvez eles tenham medo disso, porque o aparelho não é descartável: “Usa num paciente, usa em outro, depois vai usar em mim?” Mas não temos um aparelho só, temos 4. Enquanto um está em uso no exame, os outros estão sendo lavados. Há uma lavagem mecânica e depois o aparelho é colocado numa processadora com glutaraldeído, que vai fazer uma esterilização deste aparelho, que chamamos de desinfecção de alto nível. Depois este aparelho é enxaguado, vai para a secagem para depois ficar à disposição para ser utilizado num outro exame, num outro paciente. Então, o risco de contaminação também não existe. Todo endoscopista na sua formação aprende como fazer essa desinfecção de forma correta. Além disso, antes o aparelho precisava ficar submerso por 20 minutos; atualmente têm aparecido saneantes que em metade do tempo cumprem o papel de eliminar germes patogênicos. Em 10 minutos se consegue esterilizar o aparelho. Isso ajuda muito para se ter o aparelho em condições de ser utilizado mais vezes.

Eu acho que a diferença está no compromisso em acolher, em atender bem ao paciente e procurar resolver o problema. E isso passa pela questão não só da qualidade do atendimento, da qualidade dos equipamentos, da expertise de todos que trabalham aqui, mas também da segurança do paciente. Segurança quando ele está ali aguardando ser chamado para a consulta, quando ele está aguardando para fazer algum procedimento, a segurança nas salas de exames, seja com endoscopia, com colonoscopia, e segurança no pós-exame, na sala de recuperação. Então, esta preocupação realmente existe e a gente procura cada vez mais investir em segurança, porque a população está envelhecendo, e as comorbidades estão se avolumando. É difícil hoje ter um paciente de meia-idade ou idoso que tenha só um problema de saúde. Ele vem com 3, 4, 5 problemas de saúde, e muitas vezes um interfere no outro. Um simples preparo para colonoscopia pode, por exemplo, desidratar uma pessoa que tenha um problema renal, ou um problema cardiológico, ou um problema neurológico, e o paciente chega aqui em más condições. Temos visto muito isso com pacientes que vêm de fora, que não passaram por uma avaliação prévia do médico que vai fazer o procedimento, para orientar melhor o preparo (de novo a preocupação com segurança).

Na endoscopia diagnóstica, estamos procurando investigar o que o paciente tem. O paciente tem uma determinada queixa, que às vezes pode não ser muito definida. Às vezes a queixa ja é suficiente para saber o que o paciente tem. No caso da doença do refluxo, por exemplo, o paciente queixou-se de uma azia, de uma queimação que sobe até a boca, está feito o diagnóstico. Para que então  fazer a endoscopia? Porque queremos saber se, em função dessa doença do refluxo, existe algum comprometimento da mucosa esofágica, seja processo inflamatório, seja erosão, seja ulceração ou suas complicações. Então essa é a finalidade da endoscopia diagnóstica. O mesmo em relação ao estômago: vamos investigar se tem uma gastrite, uma úlcera, ou algum outro problema. E a mesma coisa em relação ao duodeno.

Na endoscopia terapêutica, normalmente o paciente já tem um diagnóstico, já tem determinado problema e vamos, por meio do exame de endoscopia, tentar solucionar o problema. Se o paciente tem varizes de esôfago que sangraram (ou ainda não), pode-se fazer a ligadura elástica dessas varizes de esôfago. Podemos realizar procedimentos como a mucosectomia ou ressecção endoscópica da submucosa em pacientes com suspeita de câncer precoce, ou mesmo quando já se tem a confirmação. Ou seja, quando a endoscopia é terapêutica, normalmente já se sabe o que o paciente tem, já se providenciou algum arsenal terapêutico próprio para aquela abordagem e se faz a abordagem. Será um procedimento mais demorado que a endoscopia em si, mas que é possível de se fazer pela via endoscópica.

O exame vai dar informação sobre o que a gente vê através da imagem. É possível ver todo o esôfago, o estômago todo e a porção inicial do duodeno: o bulbo duodenal, a segunda porção do duodeno, e a terceira porção muitas vezes também é possível atingir no exame endoscópico. Então é um exame que possibilita a visualização desses 3 órgãos com uma certa facilidade, desde que o paciente tenha realizado corretamente o preparo para o exame.

De forma geral, as queixas predominantes são em relação à doença do refluxo e às dispepsias. O que são as dispepsias? Dispepsia é qualquer  afecção que dificulte o processo de digestão. A pessoa come alguma coisa e, por exemplo, sente alguma dor, dificuldade de digestão, uma sensação de estufamento, de distensão abdominal, de acúmulo de gases, às vezes almoça e à noite ainda está sentindo que aquele alimento não foi completamente digerido. Essas são as principais queixas. Existem outras, mas essas são as predominantes.

No esôfago, pode detectar a presença de processos inflamatórios, divertículos de esôfago, tumores de esôfago, processos infecciosos do esôfago, como candidíase (monilíase esofágica), a presença de herpes (esofagite herpética) e outros. Tudo isso é possível detectar no esôfago. No estômago também podem ser detectados processos inflamatórios, úlceras, tumores, alterações vasculares… E no duodeno, a mesma coisa. Pode-se detectar úlceras, tumores, processos inflamatórios. Muitas vezes alterações relacionadas com alguns parasitas, também, é possível detectar. E outras doenças como doença celíaca, por exemplo, que muitas vezes pode se apresentar como um processo de atrofia da mucosa do duodeno. Ou seja, é possível detectar uma série de patologias, mas é claro que isso não vai aparecer em todo e qualquer paciente. Vai depender muito dos sintomas, do quadro clinico, da queixa de cada um.

Via de regra, o preparo é só o jejum. Um jejum de 8 A 10 horas é suficiente para a gente fazer uma endoscopia no paciente desde que esse paciente tenha um esvaziamento gástrico normal e não tenha outro problema de saúde como, por exemplo, uma estenose ou subestenose de esôfago, um megaesôfago, que vai reter o alimento ali. E por que esse preparo é importante? Muitas vezes o paciente pode apresentar náusea e vômito durante o exame ou no início do exame. Quando o paciente está com o estômago cheio, esse vômito pode fazer com que haja uma aspiração de alimento para a árvore respiratória, uma broncoaspiração, e isso é muito grave. Então, por isso que é necessário o jejum, estar com o preparo adequado, para minimizar o risco de complicação do procedimento.

Antes de se iniciar propriamente o exame, faz-se  uma sedação no paciente. Essa sedação vai fazer com que haja uma abolição  dos reflexos na laringe e, então, consegue-se passar o aparelho sem o paciente ter dor ou reflexo. Consequentemente, você não vai ter náusea, não vai ter enjôo, não vai ter vômito. Quando o paciente está bem sedado, a gente consegue fazer esse exame, progredindo o aparelho através do esôfago e depois estômago e duodeno. Vai fotografando todos esses locais e depois são escolhidas as fotos mais representativas do exame para o paciente ter uma ideia de como está o problema. A descrição do exame é bem mais abrangente do que o que se apresenta em fotos, que são de alguns locais bem definidos, mais representativos do exame. E durante esse exame a gente define se vai precisar fazer biópsia ou não, ou o que vai ser feito no exame além da visualização endoscópica e da documentação fotográfica do exame.

Porque, por exemplo, 30% das gastrites têm um aspecto macroscópico normal. Então só o fato de você ver a mucosa e achar que ela está normal não quer dizer que ela não tenha processo inflamatório. Muitas vezes o processo inflamatório é microscópico. Então a biópsia se impõe para dizer se tem processo inflamatório ou não. Todo mundo hoje quer saber também se tem Helicobacter pylori associada. Helicobacter pylori é uma bactéria que coloniza o estômago e que está relacionada com o aparecimento de gastrite, de úlceras, tanto no estômago, quanto no duodeno. É uma bactéria que está associada também com o aparecimento de linfoma gástrico e também com câncer gástrico. Então é uma preocupação muito grande hoje do paciente saber se tem Helicobacter pylori no estômago. Porque ouviu de alguém, viu na internet… E a gente também quer saber porque, como está relacionada com gastrites, muitas vezes, eliminando essa bactéria, erradicando essa bactéria do estômago, a gente  consegue curar definitivamente uma úlcera e uma gastrite. A não ser que o paciente volte a ser contaminado. A via  de contaminação normalmente é a água; dependendo da qualidade da água que o paciente ingere, ele pode voltar a ser reinfectado com a bactéria.

Não se recomenda dirigir nem amamentar imediatamente após o exame de endoscopia. Entre outros motivos, é também por isso que se fornece um atestado ao paciente. Apesar de a medicação sedativa que se usa ter metabolismo muito rápido, e a pessoa ficar bem muito rápido, fornecemos atestado para o dia todo para evitar que haja alguma complicação, seja no trabalho, seja dirigindo. E recomenda-se não amamentar nas 4 horas seguintes ao exame. Se alguém que esteja amamentando for fazer uma endoscopia, se a endoscopia for muito necessária, recomendamos que colete o leite e O deixe armazenado sob refrigeração para, nas 4 horas seguintes ao exame, não precisar amamentar (já terá o leite do bebê armazenado para ser dado). Também não se recomenda fazer uso de bebida alcoólica, tanto antes quanto depois do exame. Quem é que vai tomar uma bebida alcoólica antes de qualquer exame? É muita imprudência. E depois do exame, recomendamos repouso, não trabalhar, não dirigir, também não recomendamos fazer uso de bebida alcoólica, já que será mais um fator de agressão ao sistema nervoso central para a pessoa perder o senso de avaliação adequada. 

Quanto a doar sangue, teoricamente não haveria qualquer inconveniente, até porque a doação seria anterior ao exame endoscópico (sem estar sob a ação de sedativos). Só para constar, a medicação utilizada na sedação para o exame de endoscopia não vai interferir em nenhum dos exames que vão ser feitos para a triagem daquele sangue. O sangue é triado para saber se você  é portador de algum vírus: vírus da hepatite B ou C, HIV, e outros. Uma série de exames são feitos para avaliar a qualidade do sangue. Mas a medicação utilizada na sedação da endoscopia não vai interferir na qualidade desses testes que vão ser realizados. Além disso, se a pessoa for doar sangue, o ideal é que ela vá acompanhada de alguém. E, se recomendamos vir acompanhada para não sair desacompanhada de um exame de endoscopia, por exemplo, também não vamos sugerir que vá realizar qualquer outro procedimento desacompanhada após ter sido submetida a uma sedação. Existe o risco de a pessoa cochilar ao volante, ou mesmo ser atropelada atravessando uma rua, ou cair na hora em que estiver subindo ou saltando de um ônibus. De qualquer forma, não vejo a necessidade imperiosa de se fazer uma doação de sangue logo após fazer uma endoscopia. 

Não considero o câncer gástrico menos incidente que no passado, mas certamente é menos incidente que o câncer colorretal. Ainda vemos bastante câncer gástrico, embora cada vez menos porque, à medida que se melhora a condição sanitária de um local, algumas doenças relacionadas vão diminuindo. Temos basicamente 2 tipos de câncer gástrico: o adenocarcinoma gástrico tipo intestinal e o tipo difuso. Esse tipo intestinal, de uma forma geral está diminuindo no mundo, porque está muito relacionado com condições sanitárias, com H. pylori. No entanto, o tipo difuso está aumentando, é bem mais agressivo e atinge uma faixa etária bem mais jovem. E normalmente não existe um protocolo definido para se fazer um rastreamento de câncer gástrico no Brasil. Você vai submeter a população inteira a um rastreio? Fica caro, contraproducente e muitas vezes você não consegue detectar. Nos países onde a incidência é bem maior, como o Japão, o Chile, existe um rastreio. Comem muito peixe cru, muito peixe condimentado, muito alimento defumado. Na Costa Rica a mesma coisa. São países no mundo onde se tem mais câncer gástrico. Não sei dizer ao certo se na Costa Rica tem, mas no Japão e no Chile existe um programa de detecção. E não sei como é agora, mas eles não faziam endoscopia em todo mundo. Faziam um raio-X contrastado de esôfago, estômago e duodeno em todo mundo. Aqueles que tinham alteração iam para a endoscopia. Por isso detectavam precocemente. E agora eles estão mostrando para nós como detectar precocemente o câncer de esôfago, que é um tipo de patologia que não dá sintoma até chegar numa fase avançada, quando o paciente começa, por exemplo, a apresentar alguma dificuldade para engolir que não é passageira, é persistente. Então, quando se vai pesquisar, já existe um câncer avançado, grande. Porque a elasticidade do esôfago, como a do estômago, é bastante grande, então, até o paciente sentir alguma coisa demora, aquilo vai crescendo e só quando não tem mais para onde crescer é que o paciente começa a referir um sintoma, mas já está numa fase avançada. Temos hoje alguns protocolos para rastrear precocemente o câncer de esôfago distal, em função do refluxo, do Barret, mas o de estômago em si ainda não temos. E já se tem protocolo para o de intestino, para câncer colorretal. Aliás, enquanto para o câncer colorretal vai ser possível detectar uma lesão que ainda não é câncer, mas vai caminhar para isso, para o de estômago não tem nenhuma lesão que vai “virar” câncer: quando se detecta já é um câncer. Pode ser precoce, mas já é um câncer. Como na mama, como na próstata, é o câncer precoce. No cólon, é possível fazer a prevenção do câncer colorretal detectando uma lesão que ainda vai progredir para ser um câncer. Acho talvez que a colonoscopia seja o único exame que detecte uma lesão que ainda não é câncer, mas vai virar.

LINKS ÚTEIS

  • SOBED

    Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva

  • FBG

    Federação Brasileira de Gastroenterologia

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