O que é a doença do refluxo gastroesofágico?

A Doença do Refluxo Gastroesofágico é uma doença crônica decorrente do “retorno” do ácido do estômago para o esôfago e/ou órgãos adjacentes (faringe, pulmões, nariz, por ex.), que acarreta sintomas variados no esôfago ou fora dele e pode estar associada ou não a lesão nesses órgãos. Isso acontece quando a barreira entre o esôfago e o estômago (esfíncter esofagiano inferior) não funciona adequadamente. A endoscopia digestiva permite ao médico endoscopista avaliar e detectar os danos devido à doença.

SINTOMAS DA DOENÇA DO REFLUXO

Os sintomas da doença do refluxo gastroesofágico podem ser típicos e atípicos.

São sintomas típicos (esofágicos):

  • pirose (azia)
  • regurgitação ácida

São sintomas atípicos (extra-esofágicos):

  • tosse crônica
  • pigarro
  • rouquidão
  • globus (sensação de bola na garganta)
  • dor na garganta
  • asma brônquica
  • dor torácica não cardíaca
  • sufocação noturna
Refluxo Gastroesofágico

COMO SE DETECTA A DOENÇA DO REFLUXO?

O diagnóstico inicialmente é clínico, com a presença dos sintomas característicos já citados.  A DRGE pode também estar relacionada a hérnia de hiato, obesidade, gravidez, tabagismo, uso excessivo de álcool e consumo excessivo de alimentos como: café, bebidas cítricas, produtos à base de tomate, chocolate, canela e alimentos gordurosos. A endoscopia pode mostrar alterações inflamatórias como edema, erosão, ulceração ou estreitamento do esôfago.  

COMO É FEITO O TRATAMENTO?

O tratamento é feito com:

  • mudança dos hábitos de vida (interrupção do fumo e álcool)
  • reeducação alimentar (comer de forma fracionada, em pequenas porções, ingerindo pouco líquido junto com a refeição e esperando um tempo mínimo de 2 a 3h para deitar)
  • controle de peso
  • uso de medicamentos anti-secretores
  • uso do travesseiro anti-refluxo (a venda em farmácias hospitalares)

Dúvidas Frequentes

Uma entrevista com o Dr. Júlio Veloso, gastroenterologista do IAD Brasília

Os sintomas clássicos são azia e regurgitação ácida. Não precisa ser sintoma diário não, já se considera sintoma importante quando este se apresenta pelo menos duas vezes na semana. De vez em quando, qualquer um pode ter. Agora a pessoa que tem um histórico, já apresenta sintomas há meses, e toda semana duas ou três vezes se queixa de queimação, aí já é patológico. 

Além de azia e regurgitação, as pessoas se queixam também de tosse. Normalmente o paciente pesquisa primeiro com o pneumologista, com o otorrinolaringologista e não descobre nada, mas a tosse seca pode ser um sintoma de refluxo. O empachamento, que é a sensação de que comeu e não digeriu direito, também pode ser sintoma de refluxo. Tem pacientes que têm sintomas de dor torácica, como se fosse cardíaca, o que também pode ser decorrente da doença do refluxo. E sintomas relacionados à laringe, porque o refluxo pode chegar na laringe, que é muito sensível. O paciente então vai se queixar de pigarro, rouquidão, de não conseguir limpar a garganta, todos também são sintomas da doença do refluxo. E pode ter outras complicações: sinusite, otite etc., todas complicações de refluxo. A doença do refluxo esbarra em várias outras. Recebemos muitos pacientes vindos do otorrino. O paciente procura o otorrino porque está com queixas otorrinolaringológicas e então ele faz o exame de videolaringoscopia e detecta geralmente edema ou vermelhidão na parte posterior da laringe. O profissional então nos encaminha o paciente para consulta ou endoscopia. Muito comum.

Dieta, remédio, esse é o tratamento inicial, conservador. O paciente tem os sintomas característicos, faz o exame, e pode apresentar inflamação ou não. Muitas vezes na endoscopia você vê o esôfago normal, e o paciente tem sintomas e tem a doença. Não é preciso ter inflamação para ter a doença não. Então podemos detectar com outros exames, como phmetria, manometria esofágica, para medir o refluxo e caracterizar a doença mesmo sem inflamação. Então tratamos. E pedimos: controle de peso. É importante, pois aumenta a incidência e a severidade da doença do refluxo. Orientamos algumas modificações na dieta do paciente, como comer fracionadamente, não tomar muito líquido durante as refeições, não deitar após comer, evitar alimentos que dão mais sintomas, como gordura, cafeína, refrigerante, molho de tomate concentrado, chocolate, álcool. Mas não sou radical, não proíbo, peço para evitar, usar menos, ou, se qualquer quantidade, parar mesmo. O cítrico geralmente eu não retiro, mas tem pessoas que relatam piorar com cítrico. E, se piorar com outros alimentos, além desses, é preciso diminuir.

Agora o tratamento mesmo, além disso, é o remédio. Aí usamos os bloqueadores de acidez, que chamamos de IBP (inibidor de bomba protônica). O defeito na verdade é muscular, é o esfíncter inferior do esôfago que não está funcionando. Ou ele está frouxo ou está abrindo fora de hora. Daí o conteúdo do estômago, que é ácido, volta. Não existe remédio que atue para melhorar o funcionamento desse músculo. Tratamos indiretamente reduzindo a acidez. Porque aí o que refluir será menos ácido, menos lesível.

A doença do refluxo pode ter esse comportamento de doença crônica. Há pacientes que tratamos durante um tempo com remédio e que conseguem ficar um bom tempo assintomáticos, sem precisar de tomar remédio sempre. E há um grupo de pacientes que têm sintomas constantes. Usam o remédio e, quando o remédio acaba, em pouco tempo voltam a ter azia, regurgitação. E então têm que usar o remédio de novo mais tempo, às vezes continuamente. Claro, tateando a dose, prescrevemos doses menores e tentamos achar a menor dose possível, porque, quanto menos remédio melhor, mas evitando que o paciente volte a ter todos os sintomas.

O refluxo. O último inquérito brasileiro mostra que 20% das pessoas têm sintomas frequentes de refluxo, azia, regurgitação. E a doença do refluxo é uma doença muito importante para nós, é o que mais vemos, e uma doença difícil de se manejar. A doença do refluxo é vista clinicamente, identifica-se pelos sintomas, e classifica-se pelos exames. Tem doença que é estável, tem doença que progride com o tempo, piora; então temos de estar atentos para tentar identificar o paciente que pode vir a ter uma complicação. Quando não tratada, a doença do refluxo pode evoluir para complicações: úlcera de esôfago, pode estenosar, o paciente começar a ter dificuldade de engolir, ter sangramento, se tiver uma úlcera, aquilo pode sangrar e causar uma hemorragia digestiva.

LINKS ÚTEIS

  • SOBED

    Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva

  • FBG

    Federação Brasileira de Gastroenterologia

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