O câncer de estômago, ou câncer gástrico, é o terceiro mais comum entre homens no Brasil e o quinto mais frequente entre as mulheres. Ele geralmente se inicia nas células produtoras de muco que revestem o estômago. Esse tipo de câncer é chamado adenocarcinoma. Nas últimas décadas, os índices de câncer na parte principal do estômago (corpo do estômago) têm diminuído mundialmente. Mas o câncer na área de encontro entre a parte superior do estômago (cárdia) e a parte  inferior do tubo de deglutição (esôfago) tem se tornado mais comum. Esta área do estômago é chamada de junção gastroesofágica.

QUEM CORRE MAIS RISCO

Os principais fatores de risco do câncer de junção gastroesofágica são: 

  • histórico de doença do refluxo
  • obesidade

Aumentam o seu risco para câncer de estômago localizado no corpo do estômago:

  • quem tem dieta rica em alimentos salgados e defumados
  • quem tem dieta pobre em frutas e vegetais
  • quem tem histórico familiar de câncer de estômago
  • quem tem infecção por Helicobater pylori
  • quem tem inflamação de longa duração no estômago
  • quem tem anemia perniciosa???
  • quem fuma
  • quem tem pólipos estomacais
  • quem faz uso excessivo de álcool

SINTOMAS DO CÂNCER DE ESTÔMAGO

O câncer gástrico muitas vezes não apresenta sintomas na sua fase inicial, quando as chances de cura são maiores. Mas alguns pacientes apresentam sintomas como perda de peso, cansaço, sensação de estômago cheio, vômitos, náuseas, desconforto abdominal que não passa.

Alguns pacientes sentem dor quando o estômago é apalpado, pode haver sangue nas fezes ou fezes escurecidas. Também pode haver aumento do volume do estômago, do fígado, íngua na parte inferior esquerda do pescoço, nódulos ao redor do umbigo.

O diagnóstico precoce é importante para que o tratamento tenha resultados melhores. Caso você tenha algum dos sintomas abaixo, procure um médico para investigar e, se for o caso, buscar tratamento. Estes sintomas, na maior parte dos casos, não significam que você tem câncer, mas devem ser investigados como estratégia de prevenção caso permaneçam por muito tempo.

 

  • fadiga
  • sensação de empachamento após comer pequenas quantidades de alimento
  • azia severa persistente
  • indigestão severa sempre presente
  • enjôo persistente inexplicável
  • dor de estômago
  • massa (tumor) na parte superior do abdômen
  • vômitos persistentes
  • perda de apetite e perda de peso não intencional
  • refluxo e indigestão

Se você apresenta sinais e sintomas que te preocupam, agende uma consulta com o seu médico. Ele irá investigar primeiramente as causas mais comuns desses sinais e sintomas.

COMO SE DETECTA O CÂNCER DE ESTÔMAGO?

O exame indicado é a endoscopia digestiva alta. A presença da bactéria H. pylori  pode ser detectada com uma endoscopia digestiva alta com biópsia. Essa bactéria está ligada à presença de gastrites, úlceras e também do câncer gástrico.

COMO SE PREVINE O CÂNCER DE ESTÔMAGO?

Não se sabe ao certo o que causa o câncer de junção gastroesofágica ou o câncer de estômago, logo não há como previnir. Mas você pode tomar medidas para reduzir o risco fazendo pequenas mudanças nos hábitos de vida. 

  • Exercite-se

    O exercício regular está associado com a redução no risco de câncer de estômago. Tente incluir a atividade física em sua agenda na maior parte dos dias da semana.

  • Coma mais frutas e vegetais

    Tente incorporar mais frutas e vegetais em sua dieta diária. Escolha uma variedade maior de cores de frutas e vegetais.

  • Pare de fumar

    Se você é fumante, largue. Se não fuma, não comece. Fumar aumenta o risco de câncer de estômago, assim como muitos outros tipos de câncer. Deixar de fumar pode ser difícil, peça ajuda ao seu médico.

Pergunte ao seu médico sobre o seu risco de câncer de junção gastroesofágica ou de estômago. Converse com o seu médico se você tem um risco aumentado de câncer de junção gastroesofágica ou de estômago. Além disso, considere realizar endoscopias periódicas para investigar sinais de câncer de estômago.

Dúvidas Frequentes

Uma entrevista com o Dr. Júlio Veloso, gastroenterologista do IAD Brasília

O câncer gástrico é completamente assintomático no começo. Nas fases precoces, não dá sintoma algum. E às vezes na fase avançada também. Então, quando a doença se manifesta, quando o paciente começa a se queixar de dor, de comer e ficar muito saciado, de falta de apetite ou de emagrecer demais, e se realiza o exame de endoscopia, normalmente já se depara com um câncer avançadíssimo, que já invadiu outros órgãos. Os sintomas vieram tardiamente. A doença pode ser silenciosa por muito tempo. Daí a dificuldade de se diagnosticar precocemente. O problema não é diagnosticar o câncer, é diagnosticar a tempo de se fazer algo pela pessoa. Porque, depois que a doença invadiu toda a parede do estômago, saiu dos limites do estômago e começou a invadir os outros órgãos, a possibilidade de cura vai reduzindo muito.

Acredito que o que poderia aumentar o diagnóstico precoce de tumores no nosso meio seria tentar identificar pacientes de maior risco e, nesses, tentar implementar um programa de rastreamento de câncer gástrico, que ainda não existe no Brasil, o que não se justifica. As autoridades, os estudiosos de câncer gástrico consideram não valer a pena, no Brasil, que ainda é uma área de incidência intermediária, implementar um programa de rastreamento como é feito nas áreas de grande incidência, onde as pessoas acompanhadas são submetidas a exames endoscópicos.

Existem assim fatores de risco para câncer gástrico, como dieta rica em alimentos salgados, tabagismo, etilismo. A obesidade também é fator de risco para câncer gástrico. Também é importante a qualidade da água que se bebe. No interior, muitas vezes as pessoas cavam poço e a água desse poço pode ser rica em nitratos, o que aumenta a incidência de câncer. É preciso identificar e orientar os pacientes. 

Então controlar peso, mudança de hábito, parar de fumar, beber menos, dieta com pouco sal seriam as formas de as pessoas prevenirem, diminuirem a incidência. 

No Japão antigamente se fazia exame radiológico para rastreamento. Porém, com o desenvolvimento e o avanço da videoendoscopia, que apresenta imagens cada vez melhores, de alta definição, com magnificação, com cromoscopia digital, ou seja, várias formas de se conseguir ver e classificar lesões precoces, isso mudou. Agora a preferência é fazer o exame endoscópico, com imagem de alta definição.

Nosso aparelho endoscópico tem, por exemplo, um recurso, a cromoscopia digital, em que se tem uma luz azul, que é um filtro para visualizar melhor lesões gástricas pequenas, com suspeita de câncer gástrico precoce. Outros aparelhos também apresentam um recurso de magnificação, em que se pode aumentar a definição da imagem, ampliar muitas vezes. Não chega a ser como num microscópio, mas se amplia o suficiente para você ter ideia do padrão vascular, o que também pode auxiliar na detecção de câncer gástrico precoce. Magnificamos, usamos a cromoscopia digital, e então começamos a ver capilares. Nas lesões cancerosas, o arcabouço desses capilares muda, há irregularidade de vasos, vê-se uma distorção do arcabouço vascular. O que antes era organizado perde a organização. O padrão glandular se altera e o padrão vascular também se altera.

Há cânceres precoces, lesões bem pequenas, que podem ser tratados por endoscopia. Por endoscopia é possível ressecar, retirar aquela lesão com margem de segurança e curar, por meio de mucosectomia ou  ESD (ressecção endoscópica submucosa).

Há outras alterações importantes também. Quando o paciente se submete a uma endoscopia por conta de dispepsia, dor, refluxo, muitas vezes encontramos alterações gástricas como, por exemplo, o Helicobacter pylori, bactéria que é a causa mais importante de gastrite no nosso meio. Ela é considerada uma bactéria carcinogênica, está implicada na gênese do câncer gástrico. Quando detectamos o H.pylori e eliminamos com tratamento antibiótico, estamos curando a gastrite e também prevenindo um futuro câncer gástrico, caso se tenha predisposição genética, por exemplo.

A biópsia muitas vezes mostra alterações que o exame de endoscopia não mostra. Não existe uma correlação entre o que se vê com o que se tem na biópsia. Sempre é importante fazer biópsia, faz parte da rotina. Na endoscopia podemos ver, por exemplo, sinais de atrofia do estômago, ou o padrão vascular muito exacerbado. Ao fazer a biópsia dessas áreas pode-se confirmar a atrofia e atestar que esse paciente já tem um risco maior de câncer. Na gastrite atrófica, dependendo da extensão e da severidade, a chance de câncer aumenta.

O câncer gástrico no Brasil tem uma incidência moderada, intermediária. Não é nem baixa nem alta. Estamos no meio do caminho, o que não deve ser desprezível. Acredito que se deva sempre pensar nessa doença, pesquisar, procurar. Quando se observa o mapa de câncer gástrico mundial, na América do Sul temos uma incidência alta nos países da Cordilheira dos Andes. Chile, Bolívia, Peru têm uma incidência bem maior do que a nossa. E a maioria dos países da Ásia, Japão, China, apresenta também uma incidência elevada. Na Ásia, existe um programa de rastreamento de câncer gástrico, já que a incidência é bastante alta. Lá as pessoas são submetidas a exames periódicos a partir dos 40, 45 anos, para rastreamento de câncer gástrico. E o objetivo é diagnosticar a doença em estágio precoce. No Brasil, a maioria dos cânceres que se diagnostica estão em estágio avançado, quando não se tem mais possibilidade de cura.

Epidemiologicamente, no Brasil a incidência é maior em pessoas do sexo masculino. Homens apresentam mais do dobro de incidência de câncer gástrico em relação às mulheres. E isso não tem um fator identificável, não é hormonal. Simplesmente há doenças que afetam mais os homens e outras não. O câncer gástrico afeta mais os homens. Talvez tenha relação com os hábitos, porque o homem fuma mais, bebe mais, não se cuida, come mais alimentos salgados.

A doença também não é comum em jovens. Existe câncer gástrico em jovem, claro, mas a incidência começa a aumentar a partir dos 50 anos, e torna-se ainda maior após os 60. Mas é a partir dos 50 anos que a incidência começa a aumentar na população e, então, o homem é o mais afetado.

LINKS ÚTEIS

  • SOBED

    Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva

  • FBG

    Federação Brasileira de Gastroenterologia

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